Estudos Hidrográficos na Lagoa Mirim e Áreas Adjacentes
Essa proposta, a contar de uma colaboração técnica entre o Núcleo de Ensino, Extensão e Pesquisa em Hidrometria e Sedimentos para o Manejo de Bacia Hidrográficas da UFPel NEPE HidroSedi (http://www.hidrosedi.com/) da Universidade Federal de Pelotas e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte – DNIT, para a estudos e execução de levantamento hidrográfico, como um dos elementos indispensáveis ao conjunto de procedimentos e estratégias que visam habilitar a hidrovia Uruguai-Brasil, bem como proceder curso de Formação em LHs para capacitação técnica de servidores do DNIT na área de conhecimento. A parceria entre estas instituições tem como objetivo a realização de estudos e análises especializadas, incluindo a execução de batimetria nas áreas-chave da hidrovia, abrangendo o Canal São Gonçalo, Lagoa Mirim, Canal do Sangradouro, Canal Arroito, o Canal de Acesso ao Porto de Santa Vitória do Palmar e o Rio Jaguarão, todos no Estado do Rio Grande do Sul.O Núcleo de Ensino, Extensão e Pesquisa em Hidrometria e Sedimentos para o Manejo de Bacia Hidrográficas da UFPel NEPE HidroSedi (http://www.hidrosedi.com/) da Universidade Federal de Pelotas possui as competências acadêmicas e técnicas necessárias para executar os levantamentos hidrográficos de batimetria, fundamentais para o monitoramento e atualização das condições do canal navegável, especialmente considerando o contexto do Projeto Básico, apresentado no Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA, 2014). Elaborado há mais de uma década, constitui a única fonte oficial de dados sobre a região, mas não contempla levantamentos batimétricos recentes para avaliar o assoreamento e as variações da profundidade do canal. Esse lapso temporal impõe relevante ponderação para utilização dos dados do estudo, tendo em vista os sucessivos eventos climáticos extremos que assolaram o Rio Grande do Sul nos últimos anos. Relacionado diretamente ao aprimoramento do transporte aquaviário na região, com ênfase no aumento da segurança e da eficiência da navegação. Isso auxiliará no fortalecimento da integração entre Brasil e Uruguai, promovendo desenvolvimento sustentável, econômico e estratégico com a hidrovia.O início da obra de dragagem da Lagoa Mirim e do Canal São Gonçalo, é considerado uma prioridade para o interesse público. Neste contexto, os estudos e levantamentos hidrográficos (LH), prévios e precisos, são fundamentais, pois fornecem informações técnicas essenciais e indispensáveis para qualidade na tomada de decisão. Com relação ao Curso de capacitação, vale enfatizar que o Núcleo de Ensino, Extensão e Pesquisa em Hidrometria e Sedimentos para o Manejo de Bacia Hidrográficas da UFPel NEPE HidroSedi (http://www.hidrosedi.com/), é um grupo de pesquisa com vasta experiência em LH, contando com a participação de pesquisadores, mestres e doutores nos campos da hidrometria, hidrossedimentologia, geografia, manejo de bacias hidrográficas e tecnologia da informação, dentro outras áreas. Portanto, observa-se que a proposta do curso oferecerá aos servidores e terceirizados do DNIT um treinamento que lhes permitirá entender detalhadamente os procedimentos dos levantamentos, equipamentos e softwares empregados, além de familiarizar-se com as técnicas de elaboração e interpretação de documentos de entrega.
Gestão binacional e integrada dos recursos hídricos na Bacia da Lagoa Mirim e Lagoas Costeiras
A bacia hidrográfica da Lagoa Mirim é uma bacia transfronteiriça compartilhada entre o Brasil e o Uruguai, sendo o segundo maior lago na América do Sul, com 3.750 km de superfície. A Lagoa e sua rede natural de drenagem estão localizadas no leste do Uruguai e no leste do Brasil e cobrem 62.250 km, dos quais 33.000 km (53 da bacia) estão localizados no Uruguai e 29.250 km (47 da bacia) em território brasileiro. A abundância de água fornecida pela Lagoa Mirim é a origem da riqueza ambiental e econômica da bacia: a grande disponibilidade de água, em quantidade e qualidade, é a base das atividades agrícolas, florestais, pecuárias, pesqueiras, aquícolas, turísticas, de abastecimento de água e para diversos outros serviços em ambos os países.No entanto, existem ainda muitos desafios para a adequada gestão da bacia, entre os quais:Pressão sobre os ecossistemas devido às atividades produtivas e dinâmicas de ocupação do território, conduzidas de forma não sustentável;Necessidade de aumentar as capacidades de monitoramento ambiental; Desequilíbrios entre oferta e demanda de água na bacia; Adequado aproveitamento das potencialidades turísticas e produtivas presentes no território;Gerenciamento insuficiente de águas residuais e de drenagem pluvial.Assim, para a adequada gestão desta bacia, é necessária uma articulação mais profunda entre o Estado uruguaio e brasileiro, considerando os dispositivos da legislação nacional e os compromissos internacionais assumidos por ambos os países. Tal contexto binacional intensifica a complexidade da governança, demandando o fortalecimento e aprimoramento de arranjos institucionais que favoreçam a implantação e o funcionamento de um modelo de gestão integrado, participativo, inclusivo e sustentável.A iniciativa privada e a sociedade civil também devem fazer parte do processo, uma vez que são as propulsoras de atividades econômicas às margens, no interior da Lagoa e em seus tributários. Sem a participação destes atores desde o processo de construção da gestão, a implementação efetiva e engajada não seria possível.
Desenvolvimento de Veículo Aquático, não tripulado, para monitoramento ambiental na Hidrovia Uruguai-Brasil, Lagoa Mirim-Canal São Gonçalo, RS
Tratativas governamentais consolidadas, com intenção de implantação de sistema de transporte de cargas aquaviário transfronteiriço entre o Uruguai e o Brasil, até o porto de Rio Grande,RS, via Lagoa Mirim, Canal São Gonçalo e Laguna dos Patos até o Oceano Atlântico, requer atenção e traz preocupação quanto aos impactos aos múltiplos usos deste manancial. As atividades necessárias, tanto à implantação quanto à manutenção de uma estrutura com maior capacidade de transporte, podem afetar a qualidade da água, assim como a dinâmica de suas águas e transporte e deposição de sedimentos, assim como a sustentabilidade desse frágil ambiente lagunar e costeiro. Com isso, para descrição permanente dos dinâmicos processos que se desenvolvem nesse ambiente, a observação de diversos parâmetros de qualidade da água e suas relações com os volumes que se movimentam no território, no intuito de preservar e inferir sobre possíveis pontos de contaminação se faz necessário. Estratégias que permitam qualificar a obtenção de dados, de forma contínua no tempo, serão de extrema importância para a modelagem hidrológica desse sistema hídrico e na consolidação um sistema de alerta sobre os impactos causados pelos distintos usos. A construção de embarcações não tripuladas, capazes de acoplar equipamento e sensores de monitoramento de parâmetros de qualidade da água, será preponderante na atenção dessa estratégia. Associado à concepção, o desenvolvimento de sensores a base de grafeno modificados com nanocompósitos para monitoramento de compostos específicos relacionados aos potenciais contaminantes presentes na região, tais como cobre (Cu), chumbo (Pb), Zinco (Zn), Mercúrio (Hg) e hidrocarbonetos aromáticos tornam essa proposta robusta para atender aos distintos usuários, na promoção de um ambiente adequado à vida, salvaguardando o desenvolvimento ambiental, social e econômico.
Monitoramento Permanente na Bacia Hidrográfica Mirim-São Gonçalo para construção de diagnóstico ambiental II
O local de monitoramento está inserido na grande unidade hidrográfica da Lagoa Mirim. Localizada em área transfronteiriça, a bacia da Lagoa Mirim desempenha papel fundamental no desenvolvimento econômico, social e ambiental da região, uma vez que os principais usos da água em seu território estão representados pela irrigação, dessedentação animal, abastecimento humano e preservação e manutenção dos ecossistemas naturais da região. A Lagoa Mirim, destacada em amarelo na figura 1, é a segunda maior lagoa da América do Sul , com aproximadamente 375 mil hectares de superfície de água, sendo superada apenas pela Laguna dos Patos, localizada também no Brasil e ligada a Lagoa Mirim através do Canal São Gonçalo. O monitoramento da qualidade de água realizado pela ALM ocorrerá mensalmente através do Laboratório de Águas e Efluentes da ALM, que analisa os parâmetros físico-químicos e microbiológicos das amostras coletadas através de métodos internacionalmente reconhecidos e validados por este laboratório. As variáveis de qualidade avaliadas são: pH, temperatura, salinidade, condutividade, turbidez, fósforo total, nitrogênio total kjeldahl (NTK), oxigênio consumido em meio ácido, demanda bioquímica de oxigênio (DBO), oxigênio dissolvido, sólidos totais e coliformes termotolerantes. Todos esses dados adquiridos e nalisados servirão para compor um diagnóstico continuado, com entradas permanentes para constução de um modelo hidrológico capaz de expressar o comportamento da Lagoa Mirim e, por conseguinte os recurso hídricos e a bacia hidrográfica Mirim-São Gonçalo observando os cenários de multiplos usos da água, a sustentabilidade ambiental e as mudanças climáticas.